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Home > Perfil > O gaúcho elétrico

Perfil

PROJETO GENEROSIDADE

O gaúcho elétrico

A saga de Fábio Rosa, o agrônomo que levou energia a baixo custo ao meio rural e virou mito no exterior, exemplo de coragem, dedicação e fé na humanidade

Texto José Augusto Bezerra
Fotos Tânia Meinerz


Reverenciado como um dos mais importantes empreendedores sociais da atualidade, Fábio Rosa tornou-se conhecido principalmente por seu trabalho em prol dos "sem-luz" - gigantesco contingente de pessoas de vida apagada, sem rosto, sem futuro. No mundo, dois bilhões de indivíduos (quase um terço da humanidade) são privados de energia elétrica, segundo a Organização das Nações Unidas. No Brasil, 12 milhões, 80% dos quais no campo, conforme dados oficiais do Ministério de Minas e Energia. "Acho que é bem maior. Quase o dobro", diz.

A saga do "gaúcho elétrico", como os americanos o chamaram num documentário sobre sua vida e obra, narrado pelo ator Robert Redford, começa em 1982. Recém-formado em Agronomia, "Fábeo Roussa" (na pronúncia de Redford) conversava com produtores rurais em Palmares do Sul, município com economia baseada no cultivo de arroz irrigado, a 78 quilômetros a leste de Porto Alegre. Na época, os políticos pregavam a construção de estradas como forma de solucionar os problemas do campo. Ele constatou, porém, que as prioridades do povo eram outras. Queriam educar os filhos, dar-lhes conforto, mantê-los por perto. Temiam que fugissem para a capital e acabassem favelados. "A gente queria luz elétrica", diz Paulo Sessim, morador do bairro da Casa Velha. "A maioria de nós nasceu e viveu no escuro até o dia em que ele chegou. Não tinha conforto, não podia crescer, investir na produção. Mas, o que mais doía, era ver a meninada ir embora."



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